"Matamos o tempo e o tempo nos enterra..."
- Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
O tempo mudo, claro e turvo
vai seguindo e eu não sinto...
O segundo e o minuto são
um mesmo assassino...
Por quanto vou matá-lo e morrer?
A minha vida sem vontade de viver...
Um ventre sujo – grande mundo –
vai regendo o meu destino...
No absurdo, gera frutos
que me mostram o caminho...
Mas antes vou me cansar e perder
a juventude, a vontade de poder.
Há quanto tempo temo o tempo assim?
O recomeço, o meio alheio ao fim.
Por tanto vou matá-lo e morrer?
A minha vida sem vontade de viver
nas margens da estrada,
onde tudo leva a crer
que nada vale a pena,
só o tempo a percorrer
em busca de um Deus morto
pelas mágoas do próprio povo.Há quanto tempo temo o tempo assim?
O recomeço, o meio alheio ao fim.
- Musicado em Abril de 2011.
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