A cozinha clara de janela aberta
e todos satisfeitos, palitantes...
Versam sobre o foi ou será
e a fumaça do boi, leve e solta,
traceja subindo, salvando-se ao Sol.
Os homens farejam, se mordem, se amam,
se falam ao celular, pecam no elevador...
Aqui, cansados de rilhar, estão todos felizes.
Pai, mãe, tia Clara, dona Lúcia...
O Natal chegou, mas as vésperas foram longas
e trouxeram uma companheira...
fruto de tanta espera, tanta aflição, angústia.
O Natal chegou, e aqui eles não sabem, não a veem,
não a ouvem e não podem tocá-la,
mas a afagam em abraços de votos.
As crianças correm e chutam embalagens;
tio Cesar estourou a champagne...
Estou feliz (talvez o dia e o lugar),
mas a dor – que é dor – está sempre lá.
- 3 de Dezembro de 2011.